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Eversolo DMP-A8 Master Gen 2 — Mestre dos Sete Ofícios

Eversolo DMP-A8 Master Gen 2 - Cover 2.jpg

 

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Streamer, DAC, pré-amplificador, leitor e ripper de CDs, corretor acústico e servidor de música em rede. Tudo por 2.590 €. A Eversolo continua a apostar na versatilidade a preços acessíveis.

Quando testei o primeiro DMP-A8, escrevi que a Eversolo tinha descoberto o caminho mais fácil para o sucesso de vendas: versatilidade e preço competitivo. Mas há muitas marcas que ainda hoje fingem não saber que mais funções num único chassis nem sempre significam um compromisso na qualidade de som.

Esta segunda geração vai ainda mais longe e traz o CD de volta à ribalta. O A8 Gen 2 foi-nos apresentado pela simpática Eki Shaw no High End 2026, em Viena, juntamente com quase uma dúzia de novos produtos, entre eles o Master (ver vídeo).

O DMP-A8 Gen 2 e a versão Master partilham grande parte da arquitetura. O Master acrescenta o leitor de CD, um sistema de relógio mais sofisticado e cuidados adicionais com o isolamento galvânico. A escolha depende do uso que lhe vai dar e da ambição do seu sistema.

Uma cara bonita

À primeira vista, o novo A8 parece apenas um pouco maior do que o original e apresenta um extraordinário ecrã tátil de 8,6 polegadas que, na versão Master, aqui em análise, é complementado por um leitor de CD de carregamento superior. A Eversolo pretende conquistar a última fatia disponível do mercado de streamers: a máquina digital perfeita, que não esquece o analógico.

O chassis mede 388 × 265 × 98,5 mm, pesa cerca de 6 kg e mantém o acabamento em alumínio maquinado a que a Eversolo nos habituou. O painel frontal é dominado pelo ecrã, num espetáculo de luz, cor e funcionalidades. Mas seria injusto reduzi-lo a uma cara bonita.

O Master, que nos foi amavelmente enviado pelo distribuidor Delaudio, é streamer, DAC, pré-amplificador analógico, servidor de música, leitor de CD, ripper (para copiar CDs), processador digital, corretor de sala e transporte digital. Uff! Pessoalmente, gostaria que o transporte também fosse compatível com discos SACD e que o prévio tivesse saída para auscultadores, como o DAC-Z10.

Para quem conservou a coleção de CDs, é como voltar a andar de bicicleta. Nunca se esquece.
Com o DMP-A8 Master Gen 2, recuperamos o prazer de ouvir um álbum na sua edição original, sem que um algoritmo qualquer escolha por nós as versões alternativas.

Com o DMP-A8 Master Gen 2, recuperamos o prazer de ouvir um álbum na sua edição original, sem que um algoritmo qualquer escolha por nós as versões alternativas.

O regresso do ritual

O carregamento superior devolve-nos o prazer lúdico de abrir a tampa e colocar o estabilizador sobre o disco, num ritual que lembra os gira-discos de vinil e que o streaming nos sonegou.

Para quem, como eu, conservou a coleção de CDs, é como voltar a andar de bicicleta. Nunca se esquece. Tal como aconteceu antes com o LP, a notícia da morte do CD parece ter sido muito exagerada.

Depois de vinte anos a transferir CDs para discos rígidos para nos livrarmos deles, a Eversolo apresenta uma máquina que nos obriga a ir ao sótão buscar as caixas poeirentas cheias de CDs, guardados durante anos como relíquias inúteis do passado. Lá encontrei edições que não existem nas plataformas de streaming e outras que, entretanto, foram substituídas por remasterizações de critério editorial duvidoso — o Delfin Yanez que o diga!

Com o A8 Master, recuperamos o prazer de ouvir um álbum na sua edição original, sem que um algoritmo qualquer escolha por nós as versões alternativas. Não que isso me incomode sobremaneira: se eu pudesse, até teria um robô Optimus da Tesla a colocar os discos no transporte, para não ter de me levantar.

Atenção: a tampa circular transparente do transporte requer espaço livre para abrir. Convém lembrar-se disso, pois vai ter de colocar o Master na prateleira de cima, onde, aliás, ficará muito bem. É muito giro.

O teste de Pierre Verany

A Eversolo apresenta o Master como uma solução especialmente concebida para garantir uma leitura estável e silenciosa. Afirma também que o transporte possui um robusto sistema de correção de erros.

Fui confirmar com o disco de testes de Pierre Verany e, de facto, ele lida com defeitos simulados de até 1 mm sem problemas. Um resultado respeitável, embora não seja um recorde mundial.

Alguns CDs antigos gravados ainda com pré-ênfase exigem uma curva de desacentuação (de-emphasis) na reprodução. Caso contrário, podem soar artificialmente brilhantes. A documentação do Master não esclarece se esta correção é aplicada automaticamente. Eu acho que não é. Mas só mesmo um tipo que anda nisto há mais de 40 anos é que se lembraria disto!

O transporte permite-nos ainda ripar os CDs para ficheiros digitais, recuperando capas e metadados. A deteção de duplicados ajuda a organizar a biblioteca. Disco, ficheiro ou streaming: tudo sob controlo da mesma aplicação. Se isto não é a redefinição do conceito de tudo-em-um…

Se o utilizador não gostar, desliga. Mas aposto que vai exibir a lareira aos amigos…

Se o utilizador não gostar, desliga. Mas aposto que vai exibir a lareira aos amigos…

Biblioteca interativa

O ecrã facilita a consulta da biblioteca, a seleção de faixas e a leitura das configurações. Os VU-ímetros e o analisador de espectro são para quem gosta de “ver” a música tocar. Eu tenho dias.

Mas admito que um ecrã com uma lareira animada ou um céu estrelado tem tanto de kitsch como de reconfortante. A Eversolo deve ter pensado: se temos capacidade técnica para o fazer, por que não? Se o utilizador não gostar, desliga. Mas aposto que vai exibir a lareira aos amigos…

Nos bastidores, há um processador de oito núcleos, com 8 GB de RAM e 64 GB de memória interna, que torna a navegação particularmente rápida. Para armazenar música, há um compartimento para instalar um SSD M.2 NVMe de até 8 TB (não incluído), sem ter de desmontar o aparelho, além do acesso a armazenamento externo via USB e a bibliotecas na rede.

Mas uma biblioteca não se avalia apenas pelo número de faixas. Mais importante é poder encontrar a edição certa, navegar por intérpretes ou compositores e passar dos ficheiros locais para o streaming com um simples comando. Aqui, o software é ainda mais importante do que o hardware.

AKM: equipa que ganha

A secção de conversão mantém a colaboração entre o processador AK4191EQ e o DAC AK4499EXEQ. O primeiro trata do processamento digital; o segundo faz a conversão D/A. A intenção é reduzir a interferência digital na parte analógica, mais sensível ao ruído.

O conjunto utiliza a arquitetura Velvet Sound, da AKM, e aceita PCM até 768 kHz/32 bits e DSD512, dependendo da entrada ou saída utilizada. É verdade, confirmei. Estes, claro, são apenas limites de compatibilidade: as entradas ótica e coaxial não aceitam as mesmas frequências de amostragem elevadas da entrada USB.

O mistério do MQA

O Eversolo DMP-A8 Master Gen 2 reproduz ficheiros FLAC com codificação MQA, mas, nos meus testes, não efetuou o respetivo unfold, mantendo a frequência de amostragem original. Ou seja, reproduz o conteúdo FLAC, mas não descodifica a informação MQA nele incorporada.

Nota: Testei dezenas de ficheiros FLAC com codificação MQA, associados a gravações com frequências de amostragem entre 44,1 e 192 kHz. O Eversolo DMP-A8 Master Gen 2 reproduziu-os normalmente, mas sem indicar descodificação MQA. Nos ficheiros a 44,1 kHz, não efetuou o primeiro unfold para 88,2 kHz.

Nota: a Eversolo informa que, uma vez que a Tidal já não suporta MQA, este deixou de estar disponível em todos os novos modelos.

Há quem não goste do clic-clac dos relés. Eu gosto, pois dá uma sensação física que os controlos digitais não têm.

Há quem não goste do clic-clac dos relés. Eu gosto, pois dá uma sensação física que os controlos digitais não têm.

Escada acima, escada abaixo

A pré-amplificação analógica balanceada utiliza uma rede de resistências R2R para controlar o volume, em vez de reduzir o nível no domínio digital. Há quem não goste do clic-clac dos relés. Eu gosto, pois dá uma sensação física que os controlos digitais não têm. Mas pode evitar o caminho mais longo e selecionar passos de 2 dB em vez de 0,5 dB.

As entradas RCA e XLR recebem fontes analógicas sem as digitalizar. As funções DSP, porém, destinam-se a fontes digitais e não processam entradas analógicas. As saídas permitem alimentar um amplificador de potência ou colunas ativas. As saídas digitais permitem o uso de um DAC externo. Para quê, pergunto eu?

A temperatura do tempo

O relógio OCXO mantém o cristal a uma temperatura controlada para melhorar a estabilidade da frequência de referência. A Eversolo anuncia um jitter de relógio inferior a 50 femtossegundos (!) e inclui ainda um circuito PLL para estabilização adicional.

São especificações habitualmente associadas a equipamentos de áudio high-end muito mais caros, embora este valor, por si só, não determine o desempenho audível do sistema completo. Mas a sensação que tenho ao ouvi-lo é de total ausência de jitter e de distorção. Para os meus ouvidos, o Master é totalmente transparente.

Todas as medidas independentes o confirmam também. Sendo assim, o equilíbrio tonal sobre o quente, que eu menciono no texto, deve ser entendido como subjetivo, talvez até uma questão de gosto, não necessariamente uma contradição.

Há também uma entrada para relógio externo de 10 MHz/50 ohms que não experimentei e que parece ter sido propositadamente encomendada por Delfin Yanez para instalar o relógio "atómico" de Vasco Soares, que ele já não dispensa para ouvir CDs.

Delfin Yanez é o audiófilo mais sensível ao tempo que conheço — não ao tempo meteorológico, mas à precisão temporal da conversão D/A.

É aqui, juntamente com o transporte de CD, que o Master começa a justificar a diferença de preço, pois, de resto, o Gen 2 convencional utiliza a mesma combinação de AKM, ecrã, plataforma de processamento e pré-amplificador, por um preço bem mais acessível (1.990 €).

A sensação que tenho ao ouvir é de total ausência de jitter e de distorção. Para os meus ouvidos, o Master é totalmente transparente.
As ligações incluem Ethernet, Wi-Fi 6 e uma interface SFP para rede de fibra ótica, com o módulo vendido separadamente.

As ligações incluem Ethernet, Wi-Fi 6 e uma interface SFP para rede de fibra ótica, com o módulo vendido separadamente.

Rede, televisão e sala

As ligações incluem Ethernet, Wi-Fi 6 e uma interface SFP para rede de fibra ótica, com o módulo vendido separadamente.

Não considero esta última uma aquisição obrigatória, até prova em contrário. Mas eu já utilizo um conversor ótico de rede da SilentPower, embora a solução não seja exatamente equivalente a uma ligação SFP direta.

A entrada HDMI ARC recebe o áudio do televisor, mas é necessário selecioná-la manualmente. A saída para subwoofer facilita a configuração de um sistema 2.1. Para muitos leitores, estas características são muito mais úteis do que, por exemplo, a entrada de relógio externo.

O sistema evotune PRO faz correção acústica com filtros FIR e curvas-alvo ajustáveis, a partir de medições com um microfone USB ou o microfone de um smartphone. Para maior precisão, a Eversolo recomenda o uso de um microfone USB.

Há ainda equalização paramétrica de 20 bandas, loudness, compressão dinâmica e importação de filtros FIR. São ferramentas úteis, sobretudo para corrigir os graves, mas o resultado depende muito das medições e da correção aplicada.

O DSP atua sobre fontes digitais compatíveis; segundo o manual, sinais PCM acima de 192 kHz e sinais DSD não passam por este processamento. Mas eu só recorro à correção acústica em desespero de causa, quando a sala e as colunas são irremediavelmente incompatíveis.

A plataforma baseada em Android utiliza o motor de áudio exclusivo EOS (Eversolo Original Sampling-rate Audio Engine), que contorna a conversão automática da frequência de amostragem (SRC) do sistema operativo, permitindo a reprodução bit-perfect nas aplicações compatíveis, desde que não seja aplicado processamento digital.

E integra TIDAL, Qobuz, Apple Music, Amazon Music, Deezer, HIGHRESAUDIO, Spotify e outros serviços, além de TIDAL Connect, Qobuz Connect, Spotify Connect Lossless, DLNA/UPnP e acesso a NAS através de SMB, NFS ou WebDAV. E, claro, é também compatível com Roon e Audirvāna, este último via DLNA/UPnP.

Importa não confundir correção digital com reprodução bit-perfect: ao alterar a resposta em frequência, o nível ou a frequência de amostragem no domínio digital, os dados também são alterados e lá se vai o bit-perfect. Há quem prefira a reprodução bit-perfect ao upsampling. Eu ouvi muitos CDs convertidos para 705,6 kHz. E gostei.

Um ecrã com uma lareira animada ou um céu estrelado tem tanto de kitsch como de reconfortante.

Um ecrã com uma lareira animada ou um céu estrelado tem tanto de kitsch como de reconfortante.

Bit-perfect ou upsampling?

Durante a audição de Somewhere, Somebody, de Jennifer Warnes, no TIDAL, o Master identificava corretamente a origem: FLAC — 44,1 kHz — 16 bits. Mas, mais abaixo, aparecia no ecrã PCM 705,6 kHz: exatamente 44,1 multiplicado por 16. Fui ao menu verificar: Upsampling: Original/Off; DSP: Off. Voltei ao ecrã inicial: continuava a indicar 705,6 kHz.

Cheguei a suspeitar que o Master estivesse a fazer upsampling contra a minha vontade? “Ah, selecionaste Original, pois vais ouvir isto a 16× porque eu é que sei o que é melhor para ti.”

Afinal, a explicação era simples: o seletor de upsampling não atua on the fly. Ou seja, ao mudar de 16× para Original durante a reprodução, o processamento anterior mantém-se até voltar a selecionar a mesma faixa desde o início ou escolher outra. Só então voltou a aparecer a indicação de saída a 44,1 kHz. Assim, pode pensar que está a comparar duas configurações diferentes quando, afinal, está a ouvir a mesma sem saber.

Mas não deixe de experimentar: Original, 2×, 4×, 8× e 16×. Partindo de 44,1 kHz, chegamos a 88,2, 176,4, 352,8 e 705,6 kHz; na família dos 48 kHz, o limite é 768 kHz.

O upsampling não recupera informação que nunca foi registada. Mas altera as condições em que se processam a filtragem digital e a reconstrução analógica do sinal.

Com frequências de amostragem mais elevadas, um filtro de pendente suave (slow roll-off) pode oferecer um compromisso diferente entre resposta em frequência, supressão das imagens ultrassónicas e oscilação (pre ringing). À medida que a frequência de amostragem aumenta, a pendente suave do filtro afasta-se mais da banda audível. Isto não equivale a eliminar o ruído de quantificação da gravação original, nem garante, por si só, melhor som. Mas ajuda. Muito.

Já viram os soldados chineses a marchar nas paradas presidenciais? É assim que a Eversolo parece treinar os seus bits, sem desvios no tempo e no espaço. Todos bem alinhados.

Bits na parada do som

A apresentação sonora alia extrema fluidez a elevada resolução, com uma organização quase militar do espaço.

Já viram os soldados chineses a marchar nas paradas presidenciais? É assim que a Eversolo parece treinar os seus bits, sem desvios no tempo e no espaço. Todos bem alinhados.

O DAC-Z10, por exemplo, soa-me mais neutro, enquanto o A8 Master revela uma tendência subtil para o lado mais quente da neutralidade.

As vozes podem soar menos explícitas, admito, mas têm mais calor humano. E o decaimento natural dos instrumentos parece prolongar-se ad infinitum. Gostei mais de ouvir ficheiros de alta resolução do que CDs, mesmo quando estes eram submetidos a upsampling. Esta personalidade sonora permite acompanhar a informação da gravação sem que o detalhe se imponha à continuidade musical. E não se deve confundir excesso de grave com corpo, nem ênfase no agudo com transparência. Já o palco sonoro depende muito das relações de escala, distância e intensidade. O Delfin que o diga!

E atenção: Velvet Sound designa uma tecnologia da AKM, não necessariamente um atributo sonoro. A Eversolo é a única responsável pela personalidade sonora final do aparelho, porque nem todos os DACs que utilizam a tecnologia Velvet Sound têm este som “de veludo”.

O argumento mais convincente do Master é, pois, a integração.

O argumento mais convincente do Master é, pois, a integração.

Foi você que pediu um Master?

O argumento mais convincente do Master é, pois, a integração.

Para quem utiliza streaming, mas guardou os CDs, tem milhares de ficheiros armazenados e não dispensa uma fonte analógica, a proposta faz sentido. Quem procura apenas um streamer deve considerar o Gen 2 convencional.

Avalie as funções no contexto do seu sistema e do seu orçamento, sem deixar que a designação "Master" seja o fator decisivo.

A Eversolo continua a simplificar-nos a vida sem limitar as nossas escolhas. Para muitos de nós, eu incluído, o CD continua a ser uma importante fonte de prazer musical.

Que pena o transporte não ser também compatível com discos SACD, embora o Master possa reproduzir ficheiros ISO. 

Absolutamente recomendado. Perante esta inteligente combinação de funcionalidades e preço, o sucesso de vendas não me surpreende nada. Até eu acabei por me render ao Mestre.

Para mais informações: DELAUDIO

Eversolo DMP A8 Master Gen 2 Cover 2

Com o DMP-A8 Master Gen 2, recuperamos o prazer de ouvir um álbum na sua edição original, sem que um algoritmo qualquer escolha por nós as versões alternativas.

Se o utilizador não gostar, desliga. Mas aposto que vai exibir a lareira aos amigos…

Há quem não goste do clic-clac dos relés. Eu gosto, pois dá uma sensação física que os controlos digitais não têm.

As ligações incluem Ethernet, Wi-Fi 6 e uma interface SFP para rede de fibra ótica, com o módulo vendido separadamente.

Um ecrã com uma lareira animada ou um céu estrelado tem tanto de kitsch como de reconfortante.

O argumento mais convincente do Master é, pois, a integração.


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